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Mitos Eleitorais
  • 20-08-2018
De alguns anos pra cá não são poucas as vezes em que em época de eleições (sejam elas municipais, estaduais ou federais) se espalham, principalmente através de redes sociais, algumas ideias mitológicas.
 
Quem nunca recebeu uma mensagem com os dizeres: “Na hora de votar, vote nulo. Se mais de 50% dos votos do país forem nulos, as eleições não terão validade!”.
 
Pois bem, aos que já acreditaram nisso, meu sinto muito. De onde saiu esse “mito” é difícil dizer. O que é certo é que votem todos os brasileiros ou 20% da população nacional, são válidas as eleições e ganha aquele que possuir a maioria dos votos válidos (cujo tipo de contagem pode variar conforme o cargo disputado, tema essa sobre o qual não irei me alongar nesse momento).
 
É perfeitamente compreensível a divulgação de ideias desse tipo diante do cenário brasileiro atual. Vivemos num momento de crise política, descrença em nossos representantes e, pior, medo diário de que algo mais devastador ainda esteja pela frente. Desemprego, endividamento, aumento do número de pessoas vivendo nas ruas. Tudo enfim leva à necessidade de se criar pensamentos reconfortantes como a ideia de que “se eu não votar vou estar demonstrando meu inconformismo com o cenário brasileiro e algo terá que mudar”.
 
Infelizmente não é assim que funciona o sistema político.
 
No Brasil já houve uma época em que as escolas de ensino fundamental lecionavam aos seus alunos uma matéria chamada de “educação cívica” (pelo menos é o que me contam meus pais, pois eu pessoalmente não me recordo). Lembro-me de aprender o hino nacional quando criança, mas nunca fui ensinada na “escola” sobre como funciona o sistema eleitoral brasileiro. Aprendi algumas coisas por ensinamentos alheios e fui entendê-lo mais a fundo ao ingressar na faculdade de direito.
 
Acredito que essa falta de ensinamento sobre o sistema político nacional nas escolas seja um fator que auxilia na propagação de ideias enganosas sobre “regras” eleitorais, situação essa que, a meu ver, precisa ser revertida nas próximas gerações. Um adolescente tem tanta capacidade quanto um adulto de entender as regras eleitorais e, na verdade, muitas vezes, tem uma velocidade de absorção muito maior da informação.
 
A formação cívica de crianças e adolescentes é fundamental para que as pessoas desde cedo tenham a consciência de que precisam acompanhar o cenário político nacional.
 
Saber que nas eleições municipais nem sempre quem tem mais votos para vereador ou deputado será eleito é de suma importância, pois assim evita-se votar nos candidatos midiáticos cuja função em muitos partidos é carregar outros menos votados.
 
Mas, novamente, quem se lembra de ter aprendido isso na escola? Acredito que são poucos.
 
Pois bem, nesse ponto fica a pergunta: qual o objetivo do presente artigo?
 
Conscientização.
 
Não deixe de votar porque leu nas redes sociais que outras pessoas vão agir dessa forma porque alguém falou para o amigo que se ninguém votar as eleições serão nulas e o país vai ser melhor.
 
Entendem o absurdo?
 
Quer um país melhor? Tenha certeza de que a informação que possui é correta. Busque informação completa e de fonte segura (na verdade no mundo de hoje em que recebemos informações de todos os lugares, a todo o momento, essa é uma dica que vale para absolutamente qualquer assunto). Não sabe qual fonte é segura? Tente começar por sites institucionais com finalidade educacional (Senado, Câmara dos Deputados, Prefeituras, etc.) e pergunte aos seus amigos e pessoas próximas.
 
O Brasil de certo precisa mudar. Mudança depende de conscientização que, se não é fornecida, precisa ser buscada. Para quem quer consequências diferentes, não adianta tomar sempre as mesmas atitudes e decisões.
 
Por fim, vale ressaltar que o voto não é um simples dever, mas, acima de tudo, um direito. Fico triste ao nos aproximarmos de eleições e ouvir comentários como “não vou votar no fulano porque ele não vai ganhar” ou “acho que ciclano vai ganhar, não gosto dele, então não vou votar em ninguém”. Honestamente, pode ser uma falha, mas não compreendo esse tipo de raciocínio. Gosta das ideias de X? Vote em X. Não gosta de Y? Lute até o fim para que seu candidato tenha verdadeiras chances de vencer.
 
Desânimo politico diante do cenário nacional é praticamente um consenso pátrio. Mas, se for acompanhado da decisão de não votar, apenas fará com que a situação se perpetue, pois ajuda as mesmas pessoas a continuarem podendo tomar as decisões que tanto nos afetam.
 
É cansativo analisar candidatos. É difícil estudar o sistema político brasileiro pela primeira vez. É triste pensar no caos sistêmico vigente. E não, provavelmente tudo isso não vai melhorar e magicamente se resolver nos próximos 4 (quatro) anos. Mas talvez melhore nos próximos 40 (quarenta). A única certeza é que em algum momento os comportamentos têm que mudar. E nada melhor do que ser iniciado por aqueles que colocam os políticos em seus cargos, ou seja, todos nós.
Autor: Raquel Fernanda Guariglia Escanhoela

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​Escanhoela Advogados Associados - EAA tem sua história vinculada há décadas com a atividade forense, cujo início remonta ao ano de 1949 quando o patriarca da família, Lázaro Paulo Escanhoela, iniciou suas atividades como funcionário do Fórum da Comarca de Piedade.

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